Ateísmo e Moral

O espectro da moralidade assume-se como tão complexo filosoficamente que muitas pessoas se cingem ao conformismo que a irracionalidade fornece, ou mais exactamente a fé que as religiões debitam em doses tóxicas, muitas vezes levando seres excessivamente incautos para a perfeita overdose.

A mente Humana tem predilecção por parâmetros, por estereótipos, assim mais rapidamente funciona e interage com outras mentes, esquecendo-se das bases filosóficas e científicas que lhes servem de suporte, o erro é brutal, o absolutismo moral em questões completamente relativas, a moral é oriunda da própria espécie, intrínseca a si, apenas deturpada por factores externos, e individualizada, consoante as necessidades existenciais, prazeres e objectivos de vida de cada Ser Humano.

Padronizar tais relativismos é errar, tornar conceitos em leis e absolutismos é errar e desumanizar. Nasce o Ser Humano em plena existência, cedo lhe entopem a mente com dogmas e superstições, lhe falam em Infernos e obrigações impossíveis a fazer durante uma existência para caminhar em direcção a um paraíso, mais lhe falam em chamas que em nuvens, e os padrões lesgislatórios se entranham em si, em muitos sem um dia perscrutar veracidades e imoralidades de tais toxicidades.

Não é a fuga às religiões que nos fornece automaticamente a moral perdida, nem a crítica aos seus prosélitos bárbaros e decadentes, é a análise do mundo natural, das descobertas científicas, dos comportamentos das mentes sãs, as crianças pois claro. Solidariedade não é inventada pelas religiões, é um estado de necessidade de sobrevivência de uma espécie, analisando carreiros de formigas em busca de alimentos nos apercebemos do que é realmente a solidariedade, de como a livre e espontânea associação nasce da necessidade de perseguição de objectivos comuns.

Tais contextos nos possibilitam clarividenciar o que é a moral, e qual é a nossa moral. A nossa existência pode ser resumida a dois factores principais, a busca de prazer e a fuga ao sofrimento, como indivíduos e como espécie. Não existe vida após a morte, o medo desse acontecimento nos faz progredir moralmente, tanto o valor que dámos aos indivíduos que nos circundam, como o valor que fornecemos à nossa própria existência. Viver. Para quê? Para experimentar os prazeres que esta vida nos fornece, para emancipar os nossos desejos e sonhos, ambições e devaneios. Conquistar afectos e contaminar os outros com a nossa vivacidade, com os nossos pensamentos e experiências.

Fantasias. Se são possíveis é moralmente correcto torná-las realidade, é a Natureza que nos dota dessa moral, desse desejo, dessa vontade excelsa de emancipar o intelecto e atingir os máximos prazeres físicos. Sexualidade, que maior espectro de afecto humano poderia existir? Eis a necessidade de romper com morais lesgislatórias e castradoras, de estupidez que algema as nossas mais fervorosas concepções existenciais, não é somente a necessidade de sobreviver, é a necessidade de viver e fazer com o que os outros vivam.

Existência, a palavra tão simples e tão mal interpretada nos quotidianos, estranhamente deturpada por indivíduos que deveriam ter consciência de possuir consciência. Os cinco sentidos que dispomos fazem-nos interagir com o que nos envolve, com a nossa consciência, assim tentamos reproduzir nela a realidade que nos é externa, e assim interagimos com outros indivíduos, tentando ao máximo aperfeiçoar as nossas noções de realidade, momentos existem onde os cinco sentidos se querem emancipar, experimentar algo mais que a realidade, e assim o Ser Humano inventa as artes, experimenta alterações de consciência, explora a mente em busca de espiritualidades, de experiências de elevação de consciência, de exponenciação dos factores recebidos pelos cinco sentidos.

Os sabores de frutas exóticas emancipam os sentidos a um indivíduo? Que os experimente até satisfazer as suas necessidades de emancipação mental, é a moral da sua existência. O tacto com uma pele sedosa e palpitante exponencia a libido e borbulha êxtases mentais? Que se experimente sempre que tal seja possível. As fragrâncias de incenso de ópio relaxam a mente e potenciam a afectividade entre mentes e corpos? Que tal seja feito em nome das necessidades Humanas, em prol da moralidade, em fulgurante espiritualidade. As lesgilações morais irracionais castram o Ser Humano física e intelectualmente, que se proceda ao seu enterro e se emancipe a liberdade, a nossa liberdade, tendo uma vida fulgurante e vibrante não vai fazer com que alguém interfira negativamente na vida dos outros.

Moral? Explore-se a liberdade total do Ser Humano! Sendo livre, possuindo racionalidade plena e maturidade moral, a sua própria maturidade moral, que fará ele? Pegará em explosivos, os amarrará à cintura e explodirá num autocarro? Não. Se lembrará dos pormenores mais básicos da existência, das mais exponenciadoras formas de prazer. Nadar nu num lago à beira de uma cascata. Contemplar o sorriso meigo de uma criança. Fazer sexo com alguém por quem nutre afecto numa praia paradisíaca e solitária enquanto o sol se põe. Declamar poesia dos ancestrais esquecidos em estado embriagado. E assim infinitamente, em infinitos contextos e pensamentos, pois só o infinito é o fim.

2 Respostas para “Ateísmo e Moral”

  1. Bruno Resende Diz:

    Obrigado pelo gosto e pela divulgação.

    Cumprimentos.

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